sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

A borracha e os incompetentes e ladrões - Por João Bosco Leal (*)


 

 

Desde seu descobrimento, o Brasil passou por diversos ciclos, como o do pau-brasil, do açúcar, do café, do algodão, do cacau e o da borracha, cujo leite, extraído de uma árvore, proporcionou muitas descobertas e aumentou muito as possibilidades de sua utilização pelos seres humanos.

Só depois de todo esse processo de aprendizagem e do surgimento da possibilidade de lucros com sua colheita é que surgiram as pequenas trilhas nas matas virgens utilizadas pelos seringueiros em busca de árvores que já produzissem, como as ainda existentes no Acre e não Amazonas.

Da utilização dessas trilhas surgiram diversas outras aprendizagens, como a de que o homem, quando caminhando por uma delas encontrava uma pequena nascente ou mesmo um leito d'água. Os que nelas paravam para saciar sua sede aprenderam que jamais poderiam, nessa ocasião, aproveitar sua parada para também urinar próximo daquela nascente, pois nossa urina contém sal e logo o local estaria sendo pisoteado por animais selvagens que ali viriam em busca desse sal e, com seu pisoteio, acabariam com a nascente, impedindo assim, que o próximo que ali passasse pudesse daquela água beber.

Mas aprendizados que só são extraídos pela convivência direta com a natureza, como este, levaram décadas, séculos para serem do conhecimento humano e, ainda assim, somente daqueles que com esses locais convivem e, até hoje, novas utilizações para a borracha extraída daquela seringueira são descobertas, seja utilizando-a pura ou misturada a outros produtos.

Por isso, pela utilização cada vez maior desse produto e diante das dificuldades e riscos da colheita na natureza - com árvores distantes umas das outras e a consequente baixa produção e lucratividade -, os homens passaram a plantar as serigueiras em áreas contínuas, como uma lavoura de grãos, buscando uma maior produção para o fornecimento a grandes indústrias de pneus e outros produtos.

O que ocorreu com a borracha é o que ocorre com todas as descobertas realizadas pelos seres humanos. Assim que descobrem uma utilização para aquele novo produto ou objeto, buscam um modo de expandir sua produção para que todos possam utilizá-lo e, assim, possa ser comercialmente explorado.

A exploração comerrcial de qualquer produto gera empregos, impostos e divisas para o país. Com seu salário aquele que obteve emprego fará novas aquisições, gerando novos empregos e mais impostos. A arrecadação de impostos possibilita ao governo criar escolas, hospitais, melhorando a saúde e o nível educacional e cultural da população que, mais preparada, terá mais idéias, criará mais comércio e indústrias, gerando ainda mais empregos, produção e impostos que, em excesso, poderá ser exportada e seus rendimentos possibilitarão a importação do que o país necessita por não produzir, ou por produzir em quantidade insuficiente.

Com a arrecadação, o governo precisa construir toda a infraestrutura necessária para continuar crescendo, como a maior geração de energia que permita aumentar ainda mais a produção e a criação de novos empregos, além de uma maior e melhor malha viária, que possibilite o transporte desse excedente de produção até os portos e aeroportos, para que seja exportado.


O raciocínio que trás do ciclo da borracha até o comércio exterior de um país, passando pela saúde e educação de seu povo, além da infraestrutura necessária para que este país continue crescendo me parece simples, mas pelo visto não é o que pensam os PeTistas, os Marxistas e Socialistas que tomaram o controle geral do país nos últimos treze anos, pois cada vez mais estamos piorando em todos estes setores.

Ou os brasileiros tiram do poder os incompetentes que estão saqueando e destruindo tudo o que já havia sido construído, ou em um período muito curto passaremos da oitava economia mundial, para um país de terceiro mundo.

João Bosco Leal*

*Jornalista, escritor e empresário

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Distorções Sociais - Por João Bosco Leal*



Na internet encontrei um texto de Bill Cosby, "Tenho 74 anos e estou cansado", onde o mesmo descreve diversos desvios comportamentais que estão sendo assumidos pelas pessoas das gerações posteriores à dele, mas que as consequências são suportadas por todos. 

No texto ele conta que nada herdou e que trabalhou duro desde 17 anos de idade para poder chegar onde estava, para agora ter de ouvir que tinha de distribuir suas riquezas com as pessoas, que não possuem sua ética de trabalho. Que estava cansado de o governo ficar com seu dinheiro e entregá-lo de formas variadas a pessoas que tiveram preguiça de trabalhar como ele. 

E de ver a violência contra as mulheres praticada pelos seguidores do Islã em seus países, como a mutilação de sua genital ou sua morte por adultério, além do assassinato de judeus e cristãos, simplesmente por não serem crentes em Alá e, mesmo assim, insistirem em declarações de que essa é a religião da paz.

Lembra que foi educado para ter tolerância com outras culturas, mas não entende a permissão da construção de mesquitas e escolas madrassas islâmicas - que só pregam o ódio-, em diversos países do mundo, se nenhum deles pode construir uma igreja, templo, sinagoga ou escola religiosa em países árabes, para pregar o amor e a tolerância.

Bill fala sobre aquecimento global, os tóxico dependentes, fumantes e alcoólatras que fizeram sozinhos a opção por seu estilo de vida, consumo ou vício, sem serem obrigados a nada, mas de alguma forma acabam prejudicando toda a sociedade. 

Que essas pessoas são incapazes de assumir a responsabilidade por suas escolhas e atitudes, e normalmente ainda culpam o governo de discriminação por seus problemas, como os tatuados e cheios de piercings, que por essas suas escolhas tornaram-se menos empregáveis e reivindicam dinheiro do governo, dos impostos, pagos por quem trabalha e produz. 

Penso que, em nosso país, também estamos todos cansados de continuarmos pagando a quantidade de impostos que pagamos e, em troca, não termos educação, saúde, transporte e infraestrutura, sequer próximos do que deveriam ser. 

De assistirmos, diariamente, notícias de números estratosféricos que foram roubados de empresas estatais, com a participação direta dos principais membros dos Poderes Executivo e Legislativo do país, além de algumas denúncias ainda não comprovadas, sobre alguns altos membros do Poder Judiciário. 

A situação é tão grave que, além de se envergonharem, os brasileiros com seu jeito escrachado postam nas redes sociais, diariamente, pronunciamentos ridículos, totalmente descontextualizados, realizados pela nossa presidente da república dentro do Brasil e em diversos países do mundo. São frases tão atrapalhadas, que dão a impressão de terem sido ditas por uma pessoa bêbada ou drogada. 

Por outro lado, percebe-se uma clara felicidade estampada no rosto e também nas conversas e no ânimo das pessoas, quando, sistematicamente, se anunciam prisões de alguns desses ladrões. E a torcida para que estas continuem e cheguem aos chefes das quadrilhas e de suas famílias é cada vez maior.

É inacreditável, para o brasileiro ou para qualquer pessoa que tenha um mínimo de raciocínio lógico, perceber pessoas que dez anos atrás ganhavam um salário mínimo e atualmente são acusadas de serem donas de empresas enormes, algumas multinacionais, morarem em apartamentos luxuosíssimos, voarem em jatos particulares e serem contratadas por milhões, para dar assessorias sobre assuntos que sequer entendem. 

Apesar da perda incalculável que estes criminosos causaram ao país, a prisão de todos e a exigência de restituição dos valores roubados e depositados no exterior é o único caminho possível para restabelecer a credibilidade na futura classe política brasileira.

*Jornalista, escritor e empresário

terça-feira, 22 de setembro de 2015

CASAMENTO DE LOBISOMEM COM MULA-SEM-CABEÇA



QUARTA-FEIRA, 21 DE OUTUBRO DE 2009

Luiz Carlos Nogueira



Não se trata de figura do nosso folclore. Isto acontece mesmo, porém em sítio que deveria ser de absoluta importância no cenário nacional, para o desenvolvimento e bem-estar do País — ou seja, na esfera dos partidos políticos, pois estamos assistindo uniões que nada tem em comum de ideologia política. A única coisa em comum é ganância pelo poder que tudo degenera e consome.

Gláucio Ary Dillon Soares, em “Alianças e coligações eleitorais: notas para uma teoria”, publicada na Revista Brasileira de Estudos Políticos, nº 17, de julho 1964 [Belo Horizonte], em sua análise das coligações para a Câmara Federal, considerou que:“os partidos com bases classistas não podem coligar-se impunemente com partidos representantes de classes sociais antagônicas”, já que:

“tanto para atrair, quanto para manter a atração com relação a determinada classe social, um partido tem que funcionar como representante dessa classe. Os desvios dessa função são punidos com a perda de grande parte do eleitorado” (p. 107).

Não há dúvidas de que existe uma perda de nitidez política-ideológica, pois os partidos políticos nada refletem nesse campo. O que existe são cooptações resultantes de interesses nada patrióticos e não menos egoístas.

Então que tipo de filhote nasceria da cruza de lobisomens com as mulas-sem-cabeça? Um monstrinho ainda inominado, outra espécie de predador? Que devora dinheiro dos cofres públicos? Que pratica toda sorte de diabruras? Que cinicamente debocha do eleitor consciente, porque acredita no analfabetismo político da maioria que o manterá no cargo?

Quem pensa que o Saci-Pererê, o Chupa-Cabra, a Mãe D’Água, etc, vão gostar desses casamentos (coligações de partidos), está certo, porque todas as figuras bizarras do nosso folclore, não querem ficar fora de cena, caso contrário irão fazer birra. Elas fazem qualquer coisa para chamarem para si os holofotes: vestem peças de roupas extravagantes; dançam freneticamente; fazem gestos de lutas marciais; pegam criancinhas no colo; cantam; querem cumprimentar todos não observando que se tratam de manequins (bonecos) de lojas; aceitam participar de qualquer festa; comparecem em velórios até de quem não conheceram em vida — fazem tudo para chamar a atenção, não importa o quê. Prometem fazer chover se está seco; fazer frio se está calor ou fazer calor se estiver frio. Afinal essas personagens têm poderes sobrenaturais, contra os quais ninguém está conseguindo neutralizar.

Os bichos que não pertencem ao nosso folclore, mas são da nossa fauna, como os jacarés por exemplo, para continuarem na lagoa e não terem que nadar de costas, fazem as pazes com as piranhas. Os bichos mais sagazes montam nos burros (estes são mal-intencionados, apesar de burros) para atravessarem os pântanos das suas malícias. Quando os asnos querem empacar, sentam-se-lhes os ferrões, ou então, colocam pendurados em suas frentes, feixes de capim (ofertas generosas) que eles tentam baldadamente abocanhar.

Os que assistem aparvalhados, tais cenas, por ficarem extáticos, quando não babam deixam derreter seus picolés. Se por outro lado estão com um saquinho de pipocas nas mãos, esquecem-se de comê-las

Agora pensem bem. Alguém duvida de que os jacarés que conseguiram ficar na lagoa, nadando normalmente, depois não irão comer as piranhas?

De qualquer modo, tanto se os jacarés quanto as piranhas ficassem tomando conta da lagoa, ninguém mais arriscaria banhar-se nela.

Doravante é preciso valorizar os urubus. Os urubus alimentam-se, principalmente, de carne de animais mortos (carniça). Porém, quando não encontram carne de animal morto, caçam pequenos roedores, sapos e lagartos. Portanto evitam a disseminação de doenças próprias do estado de corrupção.

Essas aves deveriam ser vistas com um grande respeito e deveriam simbolizar a limpeza, tanto no sentido ecológico quanto no aspecto moral. E pelo que tenho de informação, são os únicos animais que podem livrar-nos dos cadáveres ou das carniças, sejam elas de outros animais, de seres humanos que morreram de lepra, aids, ou de qualquer outra doença contagiosa que não os afetam. Essas aves não se contaminam. Seus organismos são dotados de uma defesa orgânica fantástica. Elas deveriam simbolizar os políticos incorruptíveis (raríssimos – mas existem) e que desempenham bem seus papéis e estão sempre querendo limpar a área onde atuam.

Melhor ainda para ilustrar este artigo, mostrando as artimanhas políticas está no resumo de “A Revolução dos Bichos”, clássico do autor Eric Blair, conhecido pelo pseudônimo de George Orwell:
(extraído da Wikipédia:http://pt.wikipedia.org/wiki/Animal_Farm#cite_note-2), em cujo livro, o autor narra a história dos animais do galinheiro Solar, que eram oprimidos de forma totalitária por seu proprietário. Unidos, os bichos passam a planejar uma espécie de revolução. O sofrimento de anos somado a idéias libertárias, conduzem os rebeldes até a vitória. Mais tarde, com o poder devidamente tomado pelos animais, é hora de trabalhar.

Os líderes _ dois porcos _ mostram possuírem divergências ideológicas. Um deles, justamente o mais truculento, expulsa o companheiro e vence o imbróglio. A partir de então, a revolução é lastimavelmente deturpada, os bichos aos poucos voltam a viver penosamente e sob um autoritarismo repulsivo. Uma das frases do livro exemplifica bem o lema da desvirtuação do movimento iniciado com as melhores intenções, “todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais do que os outros”.
Com a deposição do maldoso humano, os porcos passam a administrar a fazenda, compondo uma casta privilegiada. No fim, a magnífica fábula denuncia, “já não era possível distinguir quem era homem e quem era porco”.

Sentindo chegar sua hora, Major, um velho porco, reúne os animais da fazenda para compartilhar de um sonho: serem governados por eles próprios, os animais, sem a submissão e exploração do homem. Ensinou-lhes uma antiga canção, Animais da Inglaterra (Beasts of England), que resume a filosofia do Animalismo, exaltando a igualdade entre eles e os tempos prósperos que estavam por vir, deixando os demais animais extasiados com as possibilidades.

O velho Major faleceu três dias depois, tomando a frente os astutos e jovens porcos Bola-de-Neve e Napoleão. Após clandestinas reuniões para traçar as estratégias, Sr. Jones, então proprietário da fazenda, se descuidou na alimentação dos animais, mal sabendo que este seria o estopim para aqueles bichos. Deu-se a Revolução.

Sob o comando dos inteligentes e letrados porcos, os animais passaram a chamar a Quinta Manor de Quinta dos Animais / Granja ou Fazenda dos Bichos, e aprenderam os Sete Mandamentos, que, a princípio, ganhava a seguinte forma:

1.Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.
2. Qualquer coisa que ande sobre quatro pernas, ou tenha asas, é amigo.
3. Nenhum animal usará roupas.
4. Nenhum animal dormirá em cama.
5. Nenhum animal beberá álcool.
6. Nenhum animal matará outro animal.
7. Todos os animais são iguais.

Para os animais menos inteligentes, os porcos resumiram os mandamentos apenas na máxima "Quatro pernas bom, duas pernas ruim" que passou a ser repetido constantemente pelas ovelhas. Após a primeira invasão dos humanos, na tentativa frustrada de retomar a fazenda, Bola-de-Neve luta bravamente, dedica todo o seu tempo ao aprimoramento da fazenda e da qualidade de vida de todos, mas, mesmo assim, Napoleão o expulsa do território, alegando sérias acusações contra o antigo companheiro. Acusações estas que se prolongam por toda história, mesmo após o desaparecimento de Bola-de-Neve, na tentativa de encobrir algo ou mesmo ter alguma explicação para os animais para catástrofes, criando-se um mito em torno do porco que, a partir daí, é considerado um traidor.

Napoleão se apossa da idéia de Bola-de-Neve de construir um moinho de vento para a geração de energia, mesmo havendo feito duras críticas à imaginação do companheiro, e inicia a sua construção. Algum tempo depois, os porcos começam a negociar com os agricultores da região, recusando a existência de uma resolução de não contactar com os humanos, apontando essa idéia como mais uma invenção de Bola-de-Neve. Os porcos passam ainda a viver na antiga casa de Sr. Jones e começam a modificar os mandamentos que estavam na porta do celeiro:

4. Nenhum animal dormirá em cama com lençóis.

5. Nenhum animal beberá álcool em excesso.

6. Nenhum animal matará outro animal sem motivo.

7. Todos os animais são iguais mas alguns são mais que outros. 


O hino da Revolução é banido, já que a sociedade ideal descrita, segundo Napoleão já teria sido atingida sob o seu comando. Napoleão é declarado líder por unanimidade. As condições de trabalho se degradam, os animais recebem novo ataque humano e já não se lembram se na época em que estavam submissos ao Sr. Jones era mesmo pior, mas se lembravam da liberdade proclamada, e eram sempre lembrados por sábios discursos suínos, principalmente os proferidos por Garganta, um porco com especial capacidade persuasiva. Napoleão, os outros porcos e os agricultores da vizinhança celebram, em conjunto, a produtividade da Quinta (no Brasil, o vocábulo "Quinta" é o mesmo que "Granja") dos Animais. Os outros animais trabalham arduamente em troca de míseras rações. O que se assiste é um arremedo grotesco da sociedade humana.

O slogan das ovelhas fora modificado ligeiramente, “Quatro pernas bom, duas pernas melhor!”, pois agora os porcos andavam sobre as duas patas traseiras. No final, os animais, ao olhar para dentro de casa, já não conseguem distinguir os porcos dos homens.

Por conseguinte, pergunto: que respeito merece os políticos fichas-sujas, de índole do tipo Lobisomem, Mula-Sem-Cabeça, Saci-Pererê, Chupa-Cabra, e do tipo Mãe D’Água que produzem encantamento com os seus cantos de espertos, para os quais os fins justificam os meios? E as Instituições das quais fazem parte, como é que ficam? Desmoralizadas?

Os eleitores que sabem pensar, não acreditam nesses farsantes.

Esse tipo de gente acha que não vai manchar sua biografia, porém os internautas sabem que tudo está registrado na rede mundial de computadores (World Wide Web). Não tem mais jeito de apagar as sujeiras — ninguém mais vai posar de anjo, se na verdade for o diabo.

Apesar de tudo, tenho a esperança que o povo brasileiro acorde já nas próximas eleições em 2010, votando em candidatos de mãos limpas. É preciso dar um basta na ditadura dos Partidos e dos políticos envoltos nas embalagens criadas pelo marketing. Tenho a esperança de que haveremos de não ter mais que pagar pelas farras dos sem princípios éticos.


quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

CARTA AO POVO BRASILEIRO



O que é que dá para pensar honestamente sobre quem escreve um coisa e faz outra? A reflexão é por sua conta.


“Carta ao povo brasileiro”:

– O Brasil quer mudar. Mudar para crescer, incluir, pacificar. Nosso povo constata com pesar e indignação que a corrupção continua alta e, principalmente, a crise social e a insegurança tornaram-se assustadoras. O país não pode insistir nesse caminho. O povo brasileiro quer mudar para valer. Quer trilhar o caminho da reforma tributária, que desonere a produção. Da reforma agrária que assegure a paz no campo. Da redução de nossas carências energéticas e de nosso deficit habitacional. Da reforma previdenciária. O novo modelo não poderá ser produto de decisões unilaterais do governo. Acredito que o atual governo colocou o país novamente em um impasse. A estabilidade, o controle das contas públicas e da inflação são hoje um patrimônio de todos os brasileiros. Não são um bem exclusivo do atual governo. Vamos ordenar as contas públicas e mantê-las sob controle.

Luiz Inácio Lula da Silva, 22 de junho de 2002.


Nota: Esta publicação está na Coluna da Ruth de Aquino – Revista Época, que pode ser acessada através deste link:http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/ruth-de-aquino/noticia/2014/06/viva-o-bpovo-brasileirob.html

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

DEMOCRACIA À BRASILEIRA – UMA “ESCULHAMBOCRACIA”









Luiz Carlos Nogueira







Inicialmente colhemos na Wikipédia, a definição de Democracia (A democracia adotada em nosso País é a representativa): “Democracia é um regime político em que todos os cidadãos elegíveis participam igualmente — diretamente ou através de representantes eleitos — na proposta, no desenvolvimento e na criação de leis, exercendo o poder da governação através do sufrágio universal. Ela abrange as condições sociais, econômicas e culturais que permitem o exercício livre e igual da autodeterminação política. O termo origina-se do grego antigo δημοκρατία (dēmokratía ou "governo do povo"),1 que foi criado a partir δῆμος (demos ou "povo") e κράτος (kratos ou "poder") no século V a.C.”[...]

A democracia direta, no sentido mesmo da palavra, implica necessariamente que o indivíduo possa participar, ele mesmo, nas criações das leis que lhes digam respeito, nesse caso — não pode haver intermediários (representantes eleitos), mas, no entanto, a democracia direta é impraticável, porque se torna materialmente impossível que todos decidam sobre tudo, considerando a complexidade do mundo moderno a exigir pleno domínio do conhecimento de tudo (politização e educação integral do Homem), para poder formalizar leis adequadas, exequíveis e praticáveis.

Jean-Jacques Rousseau, ao contrário afirmava que “a soberania não pode ser representada [...] o povo inglês acredita ser livre mas se engana redondamente; só o é durante a eleição dos membros do parlamento; uma vez eleitos estes, ele volta a ser escravo, não é mais nada” (1) . Dizia ele, ainda, que “uma verdadeira democracia jamais existiu nem existirá”. Não há como (segundo se interpreta de Rousseau) eliminar o luxo e a cupidez humanas, se sorte que se “corrompe ao mesmo tempo o rico e o pobre, o primeiro com a posse e o segundo com a cupidez” (2)

Estamos assim, numa via de mão dupla. Primeiro, na democracia representativa as deliberações que são de interesse da coletividade inteira, não são tomadas diretamente pelos cidadãos, mas pelos que foram eleitos para cumprirem essa finalidade. E aí está o “nó górdio”, pois os representantes depois de eleitos tem o múnus de legislar considerando os interesses gerais, porém não são responsáveis diretamente perante os seus eleitores que não têm como revogar seus mandatos, já que segundo Max Weber: “Há duas maneiras de fazer política (3). Ou se vive ‘para’ a política ou se vive ‘da’ política” . Assim tornam-se políticos de profissão, portanto, inclinados a se constituírem numa categoria à parte, não imunes às ofertas de quem está no poder, fazendo suas vontades, vislumbrando as benesses e propinas, para se manterem igualmente no poder ao lado do mais forte.

Segundo, na Democracia Direta ou Participativa de tônica Rousseauniana, é impossível o Estado governar ininterruptamente mediante a convocação do povo. Estamos assistindo os debates atualmente, na tentativa desesperada do governo se manter no poder, como um montador de cavalo chucro que procura se manter no seu lombo, pela imposição do famigerado Decreto nº 8.243, da Presidência da República, editado em 23/05/14 e interpretado num editorial do Estadão de “um conjunto de barbaridades jurídicas”, além de ter sido considerado pelo Jornalista Reinaldo Azevedo como “a instalação da ditadura petista por decreto”.

A gênese desse decreto certamente foi o medo lulla-dilmesco que havia do PT ser derrotado nas eleições em 2014, porque se isso ocorresse, seria por meio desse instrumento que esse Partido haveria de garantir a permanência dentro das estruturas do Estado, inserindo-se nas organizações e movimentos sociais a ele atrelados, consolidando dessa maneira, o domínio socialista frutificado ao longo de uma trajetória.

Sim, porque o PT desde que galgou o poder, procurou ampliá-lo com a criação e o fortalecimento de seus aparelhos de conquista e manutenção da hegemonia social, quais sejam: as ONGs, os movimentos sociais e todas as formas coletivas que viessem ser formadas, e que agora o malfadado decreto permite legiferar, sem o devido preparo (intelectual, político, sociológico e espiritual), sujeitando-se ao dirigismo

É como disse Saulo de Tarso Manriquez em sua matéria publicada no Blog Ordem de Liberdade (link acessado dia 26/11/2014, às 15h 11m de MS - http://ordemeliberdadebrasil.blogspot.com.br/2014/08/reflexoes-sobre-o-decreto-82432014.html), que haverá por conta desse decreto: “a corrosão da democracia representativa e o enfraquecimento do Congresso. O Decreto nº 8.243 tende, reitere-se, a forjar uma identificação entre a sociedade civil e os movimentos sociais, coletivos e ONGs. O corolário dessa identificação artificial será a ressignificação das noções de representação política e de legitimidade democrática. Quando os movimentos sociais, os coletivos e as ONGs participarem das decisões do governo federal, propalar-se-á a ficção de que quem está participando é a própria sociedade civil. E mais: sugerir-se-á que a sociedade fora representada.

O Decreto nº 8.243 prepara o terreno para o fim da legitimação democrática delineada na Constituição de 1988, a qual só se dá pelas vias eleitorais que definem os representantes e pelas vias plebiscitária e referendária (acessórias e sujeitas a uma série de limitações constitucionais) nas quais toda a população de um município, de um Estado-membro ou de toda a nação, é chamada a se manifestar sobre algum assunto. A representação e a legitimidade democrática serão divididas entre os movimentos sociais, os coletivos, as ONGs e o Congresso.”

Na verdade o Decreto em questão, se não for derrubado, transformará o nosso regime político numa verdadeira “ESCULHAMBOCRACIA” que é muito própria dos regimes comunistas.


O DECRETO 8.243/2014 É INCONSTITUCIONAL E AMEAÇA DEMOCRACIA - IVES GANDRA MARTINS



Rousseau,Jean-Jacques. Contratto sociale, III, 15 (Ed.bras.). Do Contrato Social ou Princípios do Direito Político. Tradução de Lourdes Santos Machado. São Paulo. Abril, “Os Pensadores”, 1973. Trad. Bras, São Paulo, Abril, “Os Pensadores”.)
2 Ibid.
3 Weber, Max, “Ciência Política: Duas Vocações” (pág.64), Editora Cultrix, SP: 2004

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

O Separatismo PeTista - Por João Bosco Leal (*)

  • 31 de outubro de 2014 
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Mapa das Eleições 2014Após o segundo turno das eleições, proliferou nas redes sociais uma quantidade incontável de mensagens daqueles que foram voto vencido – entre os quais me incluo – sobre a necessidade de separar o Brasil.
Sempre que ocorre uma situação como esta, em que os votos dos nordestinos e nortistas são considerados os responsáveis pela decisão, os fiéis da balança, essa possibilidade volta a ser levantada.
Entretanto, desta vez eles não foram, sozinhos, os responsáveis. O candidato Aécio Neves perdeu em estados importantes em quantidade de eleitores, como em seu próprio estado, Minas Gerais e no Rio de Janeiro.
Porém, o que causou a irritação dos eleitores de Aécio, foi que a soma dos votos da região Norte e Nordeste – onde Dilma ganhou com uma média de 70% dos votos -, é de 35% dos eleitores brasileiros, muito superior à soma dos eleitores das regiões Sul e Centro Oeste que é de 21% e onde Aécio venceu, mas com uma média de 57% dos votos e, todos sabem, o Norte e o Nordeste são as regiões onde mais cidadãos são beneficiados com os programas assistenciais do Governo Federal.
Durante sua campanha irresponsável, Dilma Rousseff espalhou pelo Brasil a notícia de que se eleito fosse, Aécio acabaria com os programas sociais “Bolsa Família” e “Minha Casa, Minha Vida” e que os“sulistas” estavam chamando os nortistas e nordestinos de dependentes das “esmolas” do governo e que eram “burros” por terem votado nela no primeiro turno. Ludibriados pelas mentiras da campanha petista – e amedrontados por serem muito dependentes desses programas -, eles votaram ainda mais em Dilma no segundo turno.
Mas de um partido em que a maioria de suas lideranças foi julgada e condenada por “corrupção” e“formação de quadrilha”, não podíamos esperar nada melhor que isso e agora, seus principais líderes, que sempre dizem “nada saber” sobre o ocorrido em seus próprios governos, incitam o ódio entre brasileiros, arriscando provocar uma situação que levará décadas para ser corrigida, esquecida.
Entretanto, pior seria que nós, das outras regiões do país, entrássemos também no jogo sujo e irresponsável desses “bandidos” que, para vencer uma eleição arriscam, inclusive, promover uma cisão entre o povo brasileiro.
Na realidade, a irresponsabilidade deste partido é tão grande que, mesmo após 12 anos no poder e tanta roubalheira já comprovada, não permitiu que nossos irmãos nortistas e nordestinos tivessem acesso à educação, à informação, à saúde e ao emprego. Ao invés disso, preferiram dar-lhes “Bolsas” e “Vales”,submetendo-os às “esmolas” do Estado.
É contra isso que precisamos lutar, pois enquanto nossos irmãos forem dependentes, e sem acesso à informação, continuarão votando em seus “líderes” José Sarney, Renan Calheiros, Fernando Collor, Severino Cavalcanti, Jader Barbalho, Edson Lobão e todos os outros “coronéis” nortistas e nordestinos que nunca lutarão por eles, mas sim por interesses próprios.
Ao invés de dividir o país, devemos uni-lo em torno de uma única causa: Fazer com que os hoje dependentes dos projetos sociais, troquem essa dependência por bons empregos, escolas e atendimento médico decente.
Os patriotas jamais pensarão em dividir o país, mas sim em exigir igualdade de oportunidades.
(*) João Bosco Leal - jornalista, reg. MTE nº 1019/MS, escritor, articulista político, produtor rural e palestrante sobre assuntos ligados ao agronegócio e conflitos agrários.