domingo, 20 de fevereiro de 2011

Aposentadoria de ex-governadores - Presidente da OAB destaca voto da Ministra Cármen Lúcia

O presidente nacional da OAB faz sustentação perante o Pleno do STF em defesa do fim das pensões.
(Foto: Eugenio Novaes)
Ophir destaca voto de Cármen Lúcia pró suspensão de regalia a ex-governadores




Brasília, 16/02/2011 - O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante, ressaltou hoje (16) a importância do voto da ministra do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia Antunes Rocha, a favor da concessão de cautelar para a imediata suspensão de pagamento de pensões vitalícias a ex-governadores de Estado. A ministra é a relatora da Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin nº 4552) ajuizada pelo Conselho Federal da OAB, que pede a cassação desse benefício a ex-governadores do Estado do Pará, e cujo julgamento hoje pelo STF foi interrompido pelo pedido de vista do ministro José Antonio Dias Tóffoli, após o voto da ministra Cármen Lúcia pelo deferimento da cautelar.

O presidente nacional da OAB disse esperar que a votação da Adin, que será agora apreciada em seu mérito, seja retomada o mais breve possível. "Foi extremamente importante que a ministra Cármen Lúcia trouxesse logo a julgamento essa questão, para estancar uma sangria muito maior no erário estadual e uma vez que há fundamento jurídico e constitucional muito relevante para sua aprovação", ressaltou Ophir. Em sustentação oral no Plenário do STF, ele defendeu a necessidade urgente de suspensão das pensões vitalícias a ex-governadores, "por terem sido criadas por norma estadual que invade e viola a Constituição Federal, concedendo um benefício que não é conferido nem aos ex-presidentes da República e extrapolando a autonomia da norma constitucional estadual".

Ophir voltou a salientar que o benefício a ex-governadores, que em vários estados é equiparado à remuneração de desembargadores de Tribunais de Justiça, "fere frontalmente os princípios da impessoalidade, da moralidade e da igualdade estabelecidos na Constituição Federal, sendo, enfim, uma normatização benéfica a alguém que já saiu do cargo e não tem mais condições de receber, por absoluta falta de jurisprudência e, sobretudo, por falta de previsão na Constituição Federal".

Além da ministra Cármen Lúcia, também o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, convocado a apresentar seu parecer pelo presidente do STF, ministro Cezar Peluso, defendeu a imediata suspensão das pensões vitalícias aos ex-governadores do Estado do Pará. Gurgel concordou integralmente com a ministra Relatora - que em 2007 já havia deferido pedido idêntico da OAB para suspender a aposentadoria vitalícia do ex-governador do Mato Grosso do Sul, Zeca do PT - quanto à "gritante" inconstitucionalidade do benefício, instituído no artigo 305 da Constituição paraense, e defendeu a necessidade de sua revogação em todos os Estados.


Fonte: site do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil – clique aqui para conferir

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Políticos bandidos continuam subtraíndo recursos públicos

Editorial: Controles mais frouxos nas emergências


Brasília, 10/02/2011 - O editorial "Controles mais frouxos nas emergências" foi publicado na edição de hoje (10) do jornal Correio Braziliense (DF):


"É quando o brasileiro mais precisa do Estado que a ajuda mais fica vulnerável à ação nefasta dos maus políticos. Em série de reportagens iniciada no domingo, o Correio trouxe à luz esta semana novos exemplos de desvio de dinheiro público destinado a obras emergenciais. Enquanto o país se encaminha para concluir a fase inicial do atendimento às vítimas das tempestades deste começo de ano, em especial na região serrana do Rio de Janeiro, moradores de cidades pobres de Alagoas e Pernambuco que enfrentaram tragédia semelhante em julho de 2010 são obrigados a se virar por conta própria para reconstruir a vida.


Mudam os personagens, os valores, os lugares, mas os enredos são velhos conhecidos do poder público, que teima em fazer vista grossa. Em Marechal Deodoro, Alagoas, o prefeito recebeu R$ 5 milhões para construir uma contenção contra o avanço do mar. Como as situações de emergência dispensam licitação - e a regra no país, não a exceção, é fiscalizar mal e punir menos ainda -, ele teve a insolência de contratar empresa só existente no papel. No endereço fornecido, em vez de construtora pronta para executar obra milionária, a reportagem encontrou um sítio abandonado.


Com os controles correndo frouxos, todos os municípios alagoanos e praticamente todos os pernambucanos estão com as obras de reconstrução atrasadas. Descrentes nos governos e obrigados a reparar eles mesmos os estragos das chuvas, moradores precisam encontrar força até na vontade de morrer sob teto próprio. Essa foi a justificativa de Manoel Matias, de Palmares (AL). Aos 93 anos, tuberculoso, diabético e com problemas de locomoção, ele ainda teve de enfrentar o desespero da mulher e das filhas, que tentaram impedi-lo, para subir no telhado e repor telha por telha, com material de segunda mão comprado com os parcos vencimentos de aposentado.


Nem quando o Estado reage, a população é plenamente atendida. Em Santana do Mundaú, também em Alagoas, placas registram valores repassados pelo governo federal sem sinal de que as obras ao menos tivessem sido iniciadas. São R$ 3,2 milhões para a recuperação de vias urbanas e a reconstrução da rede de água e esgoto. A diferença é que, nesse caso, o Ministério Público estadual flagrou o desvio de doações, de mantimentos e de R$ 300 mil, o que resultou na prisão do prefeito e do filho dele, secretário de Gestão da prefeitura. Segundo o novo dirigente municipal, em exercício, restaram "uns R$ 500 mil" em conta. Mas os desabrigados permanecem em acampamentos.


Como se vê, o problema não se restringe à corrupção. A melhoria da gestão dos recursos públicos também exige que a inércia e o despreparo sejam atacados. Na última reportagem da série, a Controladoria-Geral da União, o Ministério Público Federal e a Ordem dos Advogados do Brasil asseguraram ao Correio que as denúncias serão alvo de fiscalização. O presidente da OAB, Ophir Cavalcante, observou, contudo, que "punir depois que os desvios já ocorreram não pode ser regra". Ele defende acompanhamento em tempo real, com ação coordenada dos órgãos responsáveis. É o mínimo a se fazer. Do contrário, a população seguirá desamparada, mesmo com recursos liberados."


Fonte: Site do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil – clique aqui para conferir


segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O GOVERNANTE ANTES DA POSSE: -- e.mail que recebi

de

c........ de s....... g.........

para

Luiz Carlos Nogueira ,
a.............2010@hotmail.com

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23 de janeiro de 2011 20:53

assunto

Fwd: FW: Quem escreveu é um Gênio !

enviado por

gmail.com

assinado por

gmail.com

ocultar detalhes 20:53 (22 horas atrás)

abraços- C........ de S........ G...........



O GOVERNANTE ANTES DA POSSE:

Nosso partido cumpre o que promete.

Só os tolos podem crer que

não lutaremos contra a corrupção.

Porque, se há algo certo para nós, é que

a honestidade e a transparência são fundamentais.

para alcançar nossos ideais

Mostraremos que é grande estupidez crer que

as máfias continuarão no governo, como sempre.

Asseguramos sem dúvida que

a justiça social será o alvo de nossa ação.

Apesar disso, há idiotas que imaginam que

se possa governar com as manchas da velha política.

Quando assumirmos o poder, faremos tudo para que

se termine com os marajás e as negociatas.

Não permitiremos de nenhum modo que

nossas crianças morram de fome.

Cumpriremos nossos propósitos mesmo que

os recursos econômicos do país se esgotem.

Exerceremos o poder até que

Compreendam que

Somos a nova política.

DEPOIS DA POSSE:

Basta ler o texto, DE BAIXO PARA CIMA....

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Ministério Público move ação contra futuro ministro de Dilma

Fernando Pimentel, que ocupará a pasta do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, foi denunciado por crimes como fraude em licitação pública, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro

21 de dezembro de 2010 | 17h 37

Eduardo Kattah e Marcelo Portela, de O Estado de S.Paulo

BELO HORIZONTE - O Ministério Público de Minas Gerais propôs à Justiça ação penal contra o ex-prefeito de Belo Horizonte e futuro ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel (PT), e outros, por crimes como fraude em licitação pública, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro. Na denúncia criminal, o MP apontou irregularidades no processo de implantação do programa Olho Vivo, que levou à instalação de câmeras de vigilância nas ruas da capital mineira, na época em que Pimentel chefiava o Executivo municipal.

Figura também entre os acusados formalmente o procurador-geral do município, Marco Antônio de Rezende Teixeira. A denúncia foi apresentada no último dia 14 - um dia antes de Pimentel ser confirmado como ministro - pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público na 9ª Vara Criminal do Fórum Lafayette, em Belo Horizonte.

De acordo com os promotores, os crimes resultaram em prejuízo ao erário "de mais de R$ 5 milhões em valores nominais".

O inquérito civil público foi instaurado em 2004, motivado por denúncia de dispensa indevida de licitação na contratação da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) pela Prefeitura.

"As investigações provaram que a licitação foi dispensada de forma irregular, que os equipamentos foram adquiridos por preços superfaturados, com nota fiscal falsa e importados mediante crime tributário e, ainda, com recursos públicos indevidamente recebidos do município de Belo Horizonte", informou o MP.

Os promotores autores da ação alegam que estão convencidos de que houve prática criminosa por parte dos denunciados. Conforme o MP, a Prefeitura declarou o repasse de cerca de R$ 8 milhões pela compra, por parte da CDL, das 83 câmeras do programa. A entidade, no entanto, somente teria comprovado a compra de R$ 3 milhões em equipamentos.

Conforme a Promotoria, as "provas" foram apuradas por meio de perícias realizadas não apenas no inquérito civil, mas também em inquéritos da Polícia Civil de Minas e da Polícia Federal. A Justiça ainda irá decidir se recebe ou não a denúncia.

Outro lado

Procurado nesta terça-feira, 21, pelo Estado, Pimentel disse que não comentaria a acusação do MP e indicou o atual procurador-geral do município - que já ocupava o cargo na administração do petista - para falar sobre o caso. Segundo Teixeira, a denúncia "foi feita apenas para figurar na imprensa". "Juridicamente, (a peça) não tem o menor fundamento. É um disparate total", classificou.

O MP afirma que um dos problemas no convênio é que a prefeitura não poderia repassar recursos à CDL porque a entidade teria dívidas em execução pelo Executivo municipal. Teixeira, porém, afirma que a CDL já havia parcelado o débito e cumpria o parcelamento. "Ela (entidade) tinha direito de assinar contrato como qualquer outro contribuinte", disse.

Outra irregularidade, segundo o MP, seria o uso de nota fiscal falsa, em nome de uma empresa inexistente, para comprovar a origem do equipamento. Os promotores que assinam a denúncia afirmaram no inquérito civil que o material teria entrado no País ilegalmente.

Teixeira alega que integrantes do Polícia Militar - que também participa do convênio e é a responsável pela operação das câmeras - estiveram na empresa paulista para verificar o que seria adquirido, já que eram responsáveis pela escolha do equipamento. "Depois é que ela (empresa) teve a inscrição estadual revogada pela Fazenda de São Paulo por causa de alguma irregularidade fiscal. Mas a empresa existia. Houve manipulação da prova", afirmou.

O procurador-geral negou repasses além dos valores previstos no contrato e acusou o MP de parcialidade e perseguição. Ele afirma que a denúncia trata de um fato "requentado, sem o menor cabimento no sentido jurídico". Para Teixeira, o MP tenta explorar o caso politicamente, motivo pelo qual apresentou a denúncia à Justiça na véspera da confirmação de Pimentel para o Ministério de Dilma Rousseff.




quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Paulo Salim Maluf, absolvido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, requereu para ser diplomado como deputado federal.

Por Luiz Carlos Nogueira

nogueirablog@gmail.com

O deputado federal Paulo Salim Maluf, requereu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o deferimento da sua candidatura à reeleição, com base na decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, que o absolveu nesta segunda-feira (13-12-2010) da ação que o tinha declarado inelegível e, por consequência, gerado o indeferimento de seu registro de candidatura.

Por conseguinte, ainda pediu que seja determinado ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), para proclama-lo como eleito e diplomando-o como deputado.

A questão originou-se pelo fato de que o deputado Maluf embora tendo sido enquadrado na Lei da Ficha Limpa, concorreu a uma vaga de deputado federal pelo Estado de São Paulo, porém tendo o seu registro indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral (TER) daquele Estado.

Mesmo nessas condições 497.203 eleitores elegeram o referido candidato, para ocupar uma das cadeiras (70) destinadas a compor a Câmara de Deputados Federais pelo Estado de São Paulo. Paulo Salim Maluf já havia sido condenado em agosto deste ano, por ato doloso de improbidade administrativa, com base na alínea “I” do inciso I do artigo da Lei complementar 64/90 (Lei das Inelegibilidades), com a redação dada pela Lei da Ficha Limpa.

Por decorrência desses incidentes, Maluf recorreu ao TSE e o recurso (vide RO 346454 ) encontra-se na pauta de julgamentos do Plenário da Corte. Todavia, alegando a decisão do TJ-SP e a urgência do caso, o candidato requereu para que a decisão seja dada monocraticamente pelo relator, ministro Março Aurélio.

Deixo por conta do eleitor consciente o encargo de avaliar as situações como esta.

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http://www.jusbrasil.com.br/noticias/2507436/maluf-comunica-absolvicao-no-tj-paulista-e-pede-para-ser-diplomado-deputado

http://tribunaissuperioresejuizossingulares.blogspot.com/

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

No Contrato com o Diabo há certeza do cumprimento. No contrato com o Político que assina como se fosse um risco n’água, não há essa certeza.

Por Luiz Carlos Nogueira

nogueirablog@gmail.com

Dizem por aí, que quando alguém faz um contrato com o Diabo, para conseguir algo, ele o faz em troca da alma desse alguém.

Dizem ainda, que o Diabo cumpre o contrato ao pé da letra, ou seja, concede o pedido mas no prazo assinado — vem buscar a alma do indigitado contraventor das Leis de Deus, que se moveu pela ambição.

Bom, na realidade o observador consciente não pode ter dúvida que a verdade não combina com a política. Quem acredita ingenuamente de boa-fé, na possibilidade do político cumprir com o que promete, primeiro entregará sua alma (o voto) para ele e, portanto, perde-la-á sem obter qualquer compensação pela sua confiança infantil, porque o político é pior que o Diabo (se houver alguma exceção, é porque o político só pode ser um anjo, ou mais propriamente um cordeiro de Deus enviado para um covil de lobos).

Henry David Thoreau, estava enganado comparando o político com o Diabo, porque o político é sem dúvida mais esperto do que o “Cramulhão”. Eis o Thoureau disse: "Será possível que a humanidade nunca percebe que política não é moralidade, que nunca garante qualquer direito moral, que, ao contrário, só leva em conta o que é conveniente? A política escolhe o candidato disponível — que é invariavelmente o Diabo — e seus eleitores não têm direito de se espantar, pois é demais esperar que o Diabo se comporte como um anjo." (Desobedecendo: Desobediência civil e outros escritos – tradução e organização de José Augusto Drummond. — Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1984 –pág. 130).

A História da Humanidade vem registrando que a mentira sempre esteve de braços dados com a política, e até considerada pelos políticos ou demagogos, como instrumento necessário e legítimo para ser utilizado inclusive pelo homem de estado.

Por mais paradoxal que possa parecer, a busca da verdade poderia se destruir caso as condições dessa busca não sejam garantidas mediante mentiras deliberadamente apregoadas? É permitida a mentira por questão de segurança? O “Fiat justitia, et pereat mundus” (Faça-se Justiça, ainda que o mundo acabe), no caso, não deve aplicado desprezando-se a verdade?

Emmanuel Kant in “À Paz Perpétua”, título original: Zum Ewigen Frieden, Série: L&PM Pocket Plus Editores, 1º Ed. Março de 2008) explicou o que significa a sentença: “A justiça deve prevalecer, mesmo que daí resulte o desaparecimento de toda a canalha do mundo!”, ou seja, o ser humano pensa que não vale a pena viver num mundo inteiramente sem justiça, que constitui um direito humano considerado sagrado, sem levar em consideração a quantidade de sacrifício exigido aos poderes...sem levar em conta do que daí poderia resultar em consequências físicas. Esse pensamento está expresso nas palavras de Espinosa: “[...] não existe lei mais alta que a sua própria segurança [...]”

Então deve-se sacrificar a verdade à sobrevivência do mundo? Isto é menos grave do que sacrificar qualquer outra virtude ou princípio? Não foi à-toa que Aristóteles resolveu deixar Atenas, para não ter o mesmo destino de Sócrates, porque pelo que se sabe ele não era perverso para escrever o que sabia ser falso, bem como não era imbecil para garantir a sua sobrevivência destruindo tudo quanto tinha significado para o seu ser.

É consabido através da história que os que investigam ou aqueles que dizem a verdade, devem estar conscientes dos riscos que correm. Temos como exemplo: Nicolau Copérnico, condenado pela Igreja Católica, por ter desenvolvido a teoria heliocentrista; e também mais tarde, Galileu Galilei que foi condenado pela mesma Igreja, porque aquela não aceitava sua posição frente à constatação de um fato e que consequentemente porque contrariava seus interesses, tendo por isso que a abjurar publicamente as suas ideias (heliocentrismo) além de ser enviado à prisão por tempo indefinido. A mesma sorte não teve o cientista italiano Giordano Bruno que foi julgado e condenado a morte pelo tribunal da inquisição, por afirmar: que Jesus Cristo não fez milagre algum e sim magia; que todos progrediam, sendo que até os demônios eram salvos, além de acusar a Igreja de promover a ignorância de seus fiéis, para que estes permanecessem como “asnos”. Para não alongar não devemos perder de vista que outros tantos homens que muito contribuíram para o desenvolvimento da humanidade, também sofreram condenações.

Hobbes disse (Leviatã) que: “[...] uma verdade que não se opõe a nenhum interesse ou prazer humano recebe bom acolhimento de todos os homens [...].[...] não duvido que, se fosse contrária ao direito do homem à dominação, ou ao interesse dos homens que detêm a dominação, que os três ângulos de um triângulo sejam iguais a dois ângulos de um quadrado, esta doutrina teria sido, se não contestada, pelo menos suprimida pelo lançamento à fogueira de todos os livros de geometria, se aquele a quem ela dizia respeito tivesse meios para isso.” E ele estava coberto de razão.

Portanto, também quando se tratam de questões políticas e de governos, o risco não é menor.

A Bíblia Sagrada dos Cristãos registra que Jesus disse: “e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:32).

Pois bem, podemos conhecer a verdade, mas daí vai uma grande distância entre conhecê-la e praticá-la. Como eu disse e repito para finalizar: ...os que investigam ou aqueles que dizem a verdade, devem estar conscientes dos riscos que correm.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

OAB convoca cidadania a levantar a bandeira da reforma política no País

Ophir Cavalcante: desafio reside em como envolver a sociedade no debate sobre a reforma política.
(Foto: Eugenio Novaes)





Brasília, 16/11/2010 - O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante, abriu hoje (16) o seminário Reforma Política - Um Projeto para o Brasil, convocando a cidadania brasileira "a levantar esta bandeira como uma prioridade para firmar a posição do Brasil no cenário das grandes nações democráticas". Em discurso na abertura do evento, que marca os 80 anos da OAB, Ophir fez essa exortação aos cidadãos para observar que está "convencido de que a reforma política ou é conduzida pela sociedade, com o apoio da Imprensa, ou não sai; será para sempre uma pálida anotação à margem da pauta nacional". Ele frisou que a OAB lutará para colocar de uma vez por todas o tema no centro do debate nacional.

O seminário acontece até quinta-feira, na sede da OAB Nacional em Brasília, e pretende apresentar nas conclusões um documento contendo sugestões para que as instituições do País possam realizar uma reforma política ampla. "É um desafio de enormes proporções, bem o sabemos, pois não interessa à classe política de um modo geral mudanças que lhe retirem comando das eleições fundadas em costumes divorciados de preceitos éticos", destacou o presidente nacional da OAB.

"E esse desafio reside, justamente, em como envolver a sociedade - a sociedade em sentido lato, desde as suas representações legítimas até o anônimo cidadão - num projeto de reforma política que dê maior credibilidade a um instituto cuja história se perde no tempo e não temos outra melhor para substituí-lo: o voto", acrescentou Ophir Cavalcante, em sua fala na abertura. Ele observou que a reforma política depende de mudanças radicais. Entre as indagações para as quais o seminário terá de oferecer respostas, por exemplo, estão temas como voto distrital, financiamento público de campanhas, a questão da cláusula de barreiras, entre outras.

O seminário "Reforma Política - Um Projeto para o Brasil - OAB 80 anos" conta com a participação de cientistas, juristas e líderes políticos, e se desenvolverá em três painéis, coordenados pelos ministros do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski (presidente do Tribunal Superior Eleitoral), Carlos Ayres Britto e Cármen Lúcia Antunes Rocha. O evento terá como relator-geral o jurista Luís Roberto Barroso e, como patrono, Miguel Seabra Fagundes (homenagem póstuma), pelo centenário de seu nascimento. O presidente de honra do seminário é o jurista Fábio Konder Comparato, medalha Rui Barbosa da OAB.

A seguir, a íntegra do pronunciamento do presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, na abertura do seminário:

"Senhoras e Senhores,

Ao comemorar 80 anos de existência, a Ordem dos Advogados do Brasil se lança em um novo desafio: recolocar (e de uma vez por todas) a reforma política no centro do debate nacional, convocando todos as cidadãs e cidadãos a levantar esta bandeira como uma prioridade para firmar a posição do Brasil no cenário das grandes nações democráticas.

Este é um traço peculiar da história da OAB. Foi assim desde as primeiras campanhas cívicas do início da nossa República; continua nos dias atuais, em pleno Estado democrático de Direito e com as instituições funcionando com total liberdade. É obrigação da Ordem manter-se na vanguarda, pondo-se inteiramente à disposição da sociedade para ajudar a promover as mudanças necessárias ao desenvolvimento de nossa Pátria.

Isto exige empenho, esforço, renúncias pessoais e obstinação. É natural de qualquer luta. Passo a passo, temos avançado, talvez não com a velocidade que desejamos, pois os caminhos muitas vezes nos surpreendem com atalhos. O último desses atalhos representou duas décadas de ditadura, de autoritarismo. Mas a democracia triunfou e o Brasil emerge para o mundo reivindicando uma posição de destaque.

Neste ponto, gostaria de saudar a memória do jurista Miguel Seabra Fagundes, nosso bâttonier de 1954 a 1956, e que se vivo fosse estaria completando 100 anos. Tendo se destacado por sua luta em defesa da legalidade, da Justiça, das liberdades e dos direitos humanos, ideais que constituem ainda hoje missão da Ordem, nada mais justo que seja ele o patrono deste evento.

Senhoras e Senhores,

A nossa Constituição, cuja mais nova edição guarda o frescor dos 22 anos somente, desdobra-se em esforços por afirmar-se diante de um modelo de sociedade perverso, inoperante e, na maioria das vezes, injusto. Vivemos sob o signo das reformas, tantos são os problemas estruturais, das quais não escapam nem mesmo a política.

Não basta termos eleições a cada dois anos, à exceção do Distrito Federal. Por trás dos festejos de cada nova eleição esconde-se uma crise de credibilidade na base da democracia representativa, resultante de uma série de fatores que levaram, por exemplo, milhões de cidadãos a se mobilizarem exigindo uma legislação específica para retirar do cenário candidatos com fichas sujas.

Precisamos reconhecer: se tamanho esforço foi necessário, então algo está errado. Se a política tornou-se assunto de tribunais, idem.

É um desafio de enormes proporções, bem o sabemos, pois não interessa à classe política de um modo geral mudanças que lhe retirem o comando das eleições fundadas em costumes divorciados de preceitos éticos. Basta lembrarmos o famigerado "caixa-dois", cuja conta costuma ser cobrada depois das eleições em superfaturamento de obras, desviando recursos que fazem falta à educação, saúde e segurança. Outra prática condenável é a troca de favores e empregos para abrigar, em cargo comissionados, cabos eleitorais e integrantes de partidos, aumentando sobremaneira, os gastos públicos.

E esse desafio reside, justamente, em como envolver a sociedade - a sociedade em sentido lato, desde as suas representações legítimas até o anônimo cidadão - num projeto de reforma política que dê maior credibilidade a um instituto cuja história se perde no tempo e não temos outra melhor para substituí-lo: o voto.

A reforma política, estou convencido meus prezados colegas e convidados, ou é conduzida pela sociedade, com o apoio da Imprensa, ou não sai; será para sempre uma pálida anotação à margem da pauta nacional. Somente conduzida pelo clamor popular ela irá contemplar, afinal, o fortalecimento do eleitor no processo político.

Em 1991, quando se tentou pela primeira vez aprovar uma reforma política, o então presidente do maior partido na Câmara dos Deputados concluiu que seria quase impossível fazer a reforma política no Brasil. Por um simples motivo, disse ele. No Congresso havia 19 partidos; Na prática, 19 minorias.

Pareceu um raciocínio por demais prosaico. Mas não era. Em fevereiro de 2011, quando os novos deputados tomarem posse, já se terão passado 20 anos daquela constatação. Só que, desta vez, não serão 19 minorias, mas vinte e duas, porque 22 dos 27 partidos elegeram deputados. E cada um tentará sabotar o outro quando o assunto for a reforma política.

Mas não é só isso. Nos partidos também não há unanimidade. Dentro deles também há uma guerra. As rasteiras tornam-se tão comuns que a constatação poderia até receber uma interpretação mais livre: quando a reforma é a política, a Câmara é formada por 513 minorias.

Desde o fim da Constituinte de 1988, quando se percebeu que uma reforma política ainda teria de ser feita no País para aperfeiçoar um sistema que fora mantido torto, elitista, de raízes num passado retrógrado e coronelista, fala-se que a reforma política é a "mãe de todas as reformas".

Sabemos, contudo, que da forma como está, a legislação brasileira, por anos e anos ainda, possibilitará eleger aberrações eleitorais.

É uma conseqüência direta do sistema proporcional, que permite que um candidato, mesmo tendo recebido uma votação expressiva, não seja eleito, pois depende da proporcionalidade dos votos em todos os partidos, que elegem representantes na medida em que sua legenda tem mais ou menos voto.

O voto distrital, segundo muitos cientistas políticos, mudaria radicalmente a eleição. A eleição deixaria de ser proporcional para se transformar em majoritária, ganhando quem obtiver mais votos, tal como ocorre com a eleição de governadores e senadores. Mas seria ele o sistema mais adequado à cultura do povo brasileiro? Se se concluir que sim, seria distrital puro ou misto?

Ao lado disso, o financiamento público de campanhas em conjunto com as listas fechadas seria uma solução para permitir a maior participação partidária e melhor representação da sociedade?

São perguntas que este seminário deverá responder.

Em resumo, a reforma política depende de mudanças radicais. Se tivesse sido aprovada a cláusula de barreiras, em 2006 somente sete partidos teriam sobrevivido, o que ajudaria a reduzir o número de agremiações que hoje têm dono e funcionam muito como legendas de aluguel. Porque hoje ter um pequeno partido é um grande negócio, com dinheiro garantido pelo Fundo Partidário - mais de R$ 1 milhão por ano para os partidos menores.

De outro lado, acabar com os partidos de aluguel seria decretar, igualmente, o fim de pequenos partidos que muito contribuíram à democratização do Brasil. Uma encruzilhada sobre a qual devemos nos debruçar para ofertar uma proposta.

Entre os que estudam o tema da reforma política, o pessimismo é grande, pois políticos, principalmente os profissionais, não tem o menor interesse em mudar o atual sistema, que lhes parece bem confortável por garantir a eleição legislatura após legislatura, baseada em currais de votos conquistados mais à base de favores do que de interesse de uma determinada comunidade.

Alguns acreditam que ela só ocorreria diante de um cataclismo ético e político, que naturalmente leva a uma mobilização nacional.

A reforma eleitoral, por sua vez, não anda no Congresso há mais de duas legislaturas. Sob a inspiração do nobre jurista Fábio Konder Comparato, Medalha Rui Barbosa e nesta noite nosso homenageado, a OAB ofereceu ao Congresso Nacional uma proposta de Reforma Eleitoral. Lamentável dizer que dela, até o presente, nada se aproveitou, nos dando a sensação de um descaso solene por parte do Parlamento. Talvez, quem sabe, pelo fato de o projeto conferir maior poder ao povo nas decisões do País.

O que se avançou desde então foi pouco, muito pouco, nada representando de substancial. Tanto assim, para citar um exemplo recente, o Presidente da República pôde participar do processo de eleição de seu sucessor como nunca antes outro Presidente fizera no País.

Nunca é demais lembrar que a mais importante das modificações - a que criou a Lei da Ficha Limpa - foi de iniciativa popular contando com a participação de entidades como a OAB, a Igreja, os magistrados, os membros do Ministério Público dentre outros. Não saiu do próprio Congresso. Nem sairia, porque permitia punir políticos que estavam no exercício do mandato criando obstáculos para os que viessem a se candidatar nas eleições seguintes. Foi aprovada porque a população pressionou.

É preciso destacar, ainda, que esforços para se promover reformas políticas existem em todo o mundo democrático. A última que se tem notícia ocorreu na Nova Zelândia, em 1991. Na Itália, também nos anos 1990, ela foi induzida pelo Ministério Público. E a França só adotou o voto distrital em 1958 porque os deputados foram forçados a isso pelo general Charles de Gaulle.

Não estamos inovando ao iniciarmos essa caminhada. Em todo o mundo, onde há democracia, vê-se também o constante esforço para aperfeiçoá-la. Que seja esta a nossa bandeira de agora em diante, não importam os obstáculos.

O que importa é termos um Parlamento sintonizado com a população; um Parlamento que expresse, na prática, o anseio de seu povo.

Todos nós que lutamos tanto por um Brasil soberano não podemos continuar vivendo uma simples "situação democrática", por mais eleições que possam ocorrer. Queremos uma democracia como valor universal, que se traduza em participação, ética e responsabilidade. Isto não é utopia. Pode e deve ser conquistado.

Muito obrigado".

Fonte: Site do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil – Clique aqui para conferir